Há alguns dias um estudioso de mídia russa divulgou um estudo seu mostrando como a imprensa, por lá, oscila as posições para passar por debaixo dos panos certas pautas de Putin. Ele mostrava como a palavra "terrorismo" se associava com certos padrões da imprensa ligados à OTAN.
Respondi: não é o exatamente o inverso na mídia da OTAN?
Ele ridicularizou, pedindo que eu lhe mostrasse um só canal de mídia que fosse de alguma coisa chamada "OTAN". Outro veio em apoio e me chamou de ignorante.
E *la nave va*.
Mas o impressionante, nisso tudo, é como certas questões são negligenciadas.
Giuliano da Empoli, num livro chamado *Engenheiros do Caos*, mostra como, para além das oposições, circula na política mundial certas confluências, por exemplo em hábitos políticos nacionalistas, mídia etc.. Ele chamou esse movimento transnacional de **internacional nacionalista** (para contrapor aos termos afins à "internacional comunista"). O termo inclusive tem ressonâncias do que Hannah Arendt c hamava de "internacional fascista".
Há certas coisas difíceis de não fazer corresponder na ultradireita de vários países (ou em ressonâncias dela), e uma delas é a polarização idiotizada das diversas imprensas (idiotia: vem do grego *Idios*, particular, próprio, privado "meu" em detrimento de uma comunidade). Daí a curiosa ideia de um nacionalismo internacionalizado.
Mas para alguns especialistas, o caminho é o da ironia e da negação.
RT @OceanIceEU
# Something weird is going on’: search for answers as Antarctic sea ice stays at historic lows
*Some scientists fear the ‘shocking’ shift is the beginning of a global heating-linked collapse of the ice that could have alarming knock-on effects*
>"I think everyone’s asking what’s happening right now. It’s unbelievable. There’s this worry about what kind of world we’re coming in to" #globalwarming
Muito bom poder navegar nas timelines sem um algoritmo que diga o que você deveria estar querendo ver com base em seu histórico.
É interessante que esses algoritmos se apóiam num princípio da psicologia comportamental que existe, mas não é o único: eles foram construídos sob o princípio de que, se uma pessoa tem um certo padrão de navegação, é provável que, se o algoritmo proporcionar padrões parecidos, a pessoa continuará navegando.
Mas há também inúmeros outros princípios que também governam nosso comportamento. Por ex, se navegarmos sempre sob os mesmos padrões, isso poderá também reduzir a probabilidade de continuar ali, pois afinal em certo ponto ficamos saciados daquilo, e também habituados mais rapidamente.
Ou ainda: se navegamos sempre sob os mesmos padrões, eles não nos abrem a novas relações possíveis (não há variação de topografia, e logo, possíveis novas funções).
No linguajar popular: chega uma hora em que navegar ali é simplesmente chato, enfadonho, mesmice.
Por isso o Mastodon é legal e se remete à navegação anterior à das #BigTechs: a gente se depara com o universo inteiro, com línguas diferentes (muitas, sequer entendemos) e novidades que desconhecíamos.
Pense que David Chalmers havia compilado mais de 18 mil bibliografias em #filosofia da mente.
https://philosophersdesk.blogspot.com/2008/04/mind-papers-bibliography-of-philosophy.html
E não ficando contente, ampliou a coisa até criar o PhilPapers.
Dia "normal" no transporte do Rio de Janeiro #streetphotography #photographersonmastodon #photography #askesisphoto #windowfriday Cc @focarafa
#Roman bird-shaped vessels were used as perfume bottles. The liquid was sealed inside and the tip of the tail had to be broken to remove the perfume. This one is still intact and filled with the scented content!
The vessel was found in a burial at Rovasenda, Italy.
Photo: Musei Reali Turino
Como criar um blog de html estático no GitHub em minutos (para não iniciados):
https://chadbaldwin.net/2021/03/14/how-to-build-a-sql-blog.html
Michel #Foucault: um pensar do corpo
Tradução do livro de Arianna Sforzini, pela [editora Unesp](https://editoraunesp.com.br/blog/especialista-em-foucault-examina-obra-do-filosofo-frances-a-luz-do-corpo-)
Husserl and community.
The focus of the present issue is on Husserl’s contribution to the field of social ontology. For many years, #Husserl has been regarded as a methodological solipsist with little to say on #intersubjectivity. Over the past thirty years, this interpretation has been solidly rejected by the majority of Husserl scholars. Within the last ten years, however, there has also been a growing appreciation of the fact that Husserl didn’t just investigate empathy and dyadic forms of social relations, but—like many of his contemporaries—also wrote extensively on the nature of community, i.e., on large scale social formations and groups (...)
Szanto, T., Meindl, P. & Zahavi, D. Introduction: Husserl and community. Cont Philos Rev (2023). https://doi.org/10.1007/s11007-023-09617-z
Curso de introdução ao GitHub Pages dirigido a iniciantes:
https://github.com/skills/github-pages
Disso, uma dúvida perpétua para mim, como iniciante, é: haveria outra opção, mais pública, para criar um site durável, com a perspectiva de não ser deletado, e que seja free e não financiado por grandes corporações como a Microsoft?
Niklas Luhmann: Communication with Zettelkastens. An experiential report.
Texto clássico de Luhmann sobre o método #zettelkasten
A mais nova rodada dos ataques à #psicanalise e as ciências humanas, desta vez por Nathalia Pasternak e Carlos Orsi, com [refutação de Rogerio Lerner](https://www.sbpsp.org.br/blog/que-bobagem-e-o-negacionismo-de-evidencias-cientificas/), da USP:
# Que bobagem é o negacionismo de evidências científicas abundantes sobre psicanálise e psicoterapias psicodinâmicas!
# Variações sobre o descuido
Moro no RJ há muitos anos, e há algum tempo vi um caminhão atropelar um ciclista por um motivo ridiculamente evitável e banal, por simples descuido.
O ciclista, um catador de latinhas, havia reduzido a velocidade da bicicleta e se desequilibrou só um pouquinho. Mas, como é de se ver tanto por aí em situações parecidas, ele não teve lá aquela preocupação com os outros ao redor e deu aquela valorizada no desequilíbrio, jogando a bicicleta para o lado. Em 99% das situações a bicicleta se reequilibra e ele segue, apenas dando aquele "susto" despropositado em eventuais pessoas ou motoristas ao redor. Só que, como ele usou certo jeito tão difundidamente descuidado, a bicicleta não ajudou, o reequilíbrio não ocorreu e ele foi caindo, caindo daquele modo que parece em câmera lenta, como se o descuidado desse mãos à fatalidade a conta-gotas, abrindo espaço para a ela até que ela tome conta.
E lá atrás vinha um caminhão. O motorista fazia como tantos outros caminhoneiros e, mesmo com o caminhão carregado, não se importava muito seriamente com os limites de velocidade, mesmo nas ruas internas da cidade. E também como tal, o motorista é daqueles tantos que gostam de fazer (com o carro) curva aberta em esquina na terceira marcha e só reduzir caso precise, de jogar o carro em cima do pedestre mesmo quando ele tem razão, enfim, de usar a mesma habitual grosseria e descuido com o alheio à qual o ciclista também é familiarizado.
E o motorista vinha a certa velocidade, não muito alta mas suficiente para fazer um estrago. De repente, ele se deparou com o ciclista, mas não o ciclista em sua frente já caído, e sim o ciclista naquele ato de queda em câmera lenta. Enquanto motorista médio, o primeiro ímpeto do motorista, como que por um segundo, foi o de não frear, já que a má educação é patrimônio imaterial de certos lugares. Mas já no momento seguinte o motorista nota que a situação não é mais uma tosquice cotidiana, porém real e séria, e então freia o caminhão com toda força.
O resultado é aquela freada em "soco", na qual ao final o caminhão dá aquela batida seca. E a batida coincide exatamente com o fim da queda do ciclista, como que dando aquele tranco em suas costas e bacia, engolindo a bicicleta e lançando o ciclista a 1,5m do caminhão.
A reação do povo ao redor é a de um linchamento às avessas: num linchamento, as pessoas se revoltam e querem partir para cima do ladrão, agressor ou o que o valha. Mas num acidente o princípio é o mesmo, porém inverso: elas querem restituir logo a saúde. Por isso o primeiro ímpeto é o de tirar a pessoa da frente do caminhão, restituir rapidamente a boa ordem. Duas pessoas puxam o atropelado pelo braço e a sorte é que havia alguém a impedir isso enquanto a ambulância não chegava (afinal, se a pessoa está fraturada e é grave, uma remoção sem os devidos cuidados apenas piorará a situação).
É claro que a rede de descuidados, nessa situação, se multiplica: o "acidente" produz uma fila com aquele espetáculo grotesco de pessoas apenas preocupadas em passar (quase causando outros "acidentes"), as autoridades mostram característico descuido e - exceto, talvez, pelos bombeiros - falta de profissionalismo. Os boatos e memes também começam a pulular.
Mas o impressionante, nesse tipo de situação, é a série de descuidados, negligências, de pouco caso consigo e com os outros.
É como pensar em tantas situações cotidianas, que incrivelmente certos lugares consideram tão naturais quanto a queda dos corpos.
No mesmo RJ, é quase um outro patrimônio natural as pessoas não darem lugar ao outro no transporte público, mesmo quando o banco ao lado está vazio. Só que não se resume a isso: não é apenas não dar lugar, e sim deixar os pertences, ou a perna ou parte do corpo, no lugar a ser ocupado, ou até já ocupado, pelo outro.
Os casos são surreais, e tão mais frequentes se a pessoa que precisa sentar ao lado é uma mulher. Por uma espécie de mistura entre dissimulação e naturalização do desrespeito, quem ocupa um lugar fica ali e se arroga no direito de ocupar o "território" por algum direito não declarado de "ter chegado ali primeiro". Pois, se uma homem senta ao lado, é incrível como a questão parece territorial. E quando uma mulher senta ao lado, a probabilidade de algum tipo de assédio se multiplica.
Esses "descuidados" não parecem em nada ser diferentes daqueles do ciclista, do motorista e de tantos outros. A coisa se assemelha a uma rede na qual as pessoas cumprem uma aposta não declarada, a de que "não vai dar nada" e ao fim tudo ficará bem, mesmo que isso gere ocasionalmente algum prejuízo ao alheio. Afinal, há também toda uma instituição para o caso de "dar merda", instituição que é tão mais eficiente quanto o número de aliados pessoais de alguém.
E esse tipo de relação, baseada num suposto descuidado (e que ao fim é uma espécie de negligência geral tácita), se multiplica em todo lugar. Está no serviço que não anuncia o preço, no prestador que varia a qualidade do serviço conforme o tipo de relação pessoal que tem com o cliente, enfim, por vezes parece um fantasma a imperar em muitas situações, especialmente as da rua.
Essas relações se institucionalizam, tomam forma, tornam-se concretas, chegando até nos gabinetes públicos (quem não conhece a figura do burocrata que é o soberano da própria mesa?). Elas não passam daquilo que estudiosos como Sergio Buarque chamava de "homem cordial". E a ironia é essa noção buarqueana ser confundida, como se cordial significasse "prestativo e afetivo". Mas Buarque chamava a atenção ao termo latino coração, *Cordis*, que significa agir em âmbito privado antes de pensar na esfera pública.
Daí em diante, o fluminense por vezes se surpreende. Afinal, esse cotidiano de pouco caso na rua pode atingir níveis gravíssimos, em relatos surpreendentes como o dos cariocas que querem ter um dia normal e tomar café, mas lá fora passam helicópteros e rajadas de fuzil. A pergunta então se torna inevitável: como é possível ter uma vida verdadeiramente normal assim?
O Projeto Gutenberg posta que hoje é data da morte de Carl G. #Jung, com informe e links.
Saiu na Nature:
# ChatGPT broke the Turing test — the race is on for new ways to assess AI
*Large language models mimic human chatter, but scientists disagree on their ability to reason.*
Interesses: História da #Filosofia, História das #CiênciasHumanas, História da #Psicologia, Michel #Foucault. Também por #arte, #natureza e #fotografia.
Posto: o que vejo diante dos olhos, nessa curta vida. Compartilho links e coisas que me interessam, interajo, guardo informações, cito trechos, conjecturo, separo coisas para ler...
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