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A literatura sobre Foucault é bastante grande e, com isso, vem aquele efeito dos abundantes textos que, para comentar suas noções, não fazem a mínima lição de casa. É incrível o número de artigos "profundos", por vezes elogiados, que redesdobrem a roda e, ao mesmo tempo, sequer leem as passagens nas quais a roda está implicada.

Um exemplo (para citar só um) é esse artigo (philarchive.org/archive/DECFM-), que aproxima a noção de "meio" das análises de Foucault, por exemplo sobre a biopolítica. Desde seus escritos iniciais, Foucault põe sob problema a noção de meio, com todas as suas derivações possíveis. Inclusive - não vou dizer onde -, Foucault faz uma contundente arqueologia da noção de meio, cujos efeitos continuam sem análise durante décadas.

Sem analisar esses textos, o autor do artigo julga que há algo como correspondências ou empréstimos referentes à noção de "meio". A própria noção de biopolítica, citada no artigo, é um dos critérios analíticos pelos quais a noção de meio encontraria suas condições de possibilidade, e não um conceito que estaria aí para ser aproveitado ou ressignificado por Foucault.

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