O foco das reformas educacionais nunca vai na direção de melhorar a capacidade dos professores de darem suas aulas: mais capacitação, menos currículos para o professor lecionar, menos alunos nas turmas.

A direção é sempre tentar fragmentar cada vez mais o currículo para ver se o aluno se interessa por algo.

O problema que a maior causa de desinteresse é a falta de preparo do professor.

Porém o professor não tem como aperfeiçoar cada vez mais seus métodos sem as condições para tal.

O ano em que fui melhor na sala de aula foi quando tive apenas 3 currículos: filosofia nos 3 anos do ensino médio e nada mais. Os alunos evoluíram muito, e vários, 3 anos após, quando me encontram na rua, conseguem recitar passagens inteiras de textos filosóficos. Não de manuais, mas dos próprios autores. E olha que sequer ensinei nem cobrei memorização de texto.

Veio a reforma do ensino médio. Agora tenho 15 currículos diferentes. E sou um dos professores que menos tem diversidade curricular.

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@nelsonsantana

É como dizia Darcy Ribeiro: a crise é projeto. E aí, como o professor está na ponta da lança, cai tudo nele, desde compensar as dificuldades estruturais, fingir que isso não cria dificuldades pessoaks, e ainda ter que lidar com os burocratas da educação e essas bizarrices do novo ensino médio.

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