@tatianasaito senti o puxão de orelha aqui pelo meu toot da SUV (e agradeço, porque OBVIAMENTE não pensei nisso).

@tatianasaito claro que dá pra problematizar sobre o falo como símbolo de poder etc etc etc mas o puxão de orelha tá dado e foi recebido aqui com reflexão.

Follow

@liaamancio @tatianasaito hj em dia nessas redes sociais é preciso sempre ter cuidado com duas chaves de leitura: a questão geral que se quer apontar, de um lado, e de outro a vazão das interpretaçoes a acusações e indiretas particulares ("o peru pqno do outro etc"), privadas.

Acho que Lia não quis necessariamente apontar o dedo a pessoas que ela vê na rua ou nas redes, e sim colocar o problema mais geral, como ela disse (e que nos atravessa a todos), de que objetos de consumo se ligam a valores machistas, fálicos etc.. Afinal, para a sociedade de consumo é quem tem "peru grande" que "tem" ou "deve ter" carro grande, quem não se sustenta tem "peru pequeno" etc, do mesmo modo que vivemos hoje, também, num alargamento do capitalismo o qual pretende dizer que, não importa que peru vc tenha, todos eles são grandes cada um a seu modo e dimensão própria (uma dupla economia de ilusões: valorizar uns desmerecendo outros, ou achatar tudo no marasmo de uma valorização pura e simplesmente automática)

Isso vira, aí sim, uma indústria da ostentação dos perus e da denúncia dos perus alheios, seja sob o capitalismo selvagem mais antigo, seja pelas humanizações do capitalismo (que no fundo são alargamentos dele) os quais enxergamos hoje em dia.

Daí a denúncia que Lia faz da sordidez dessas coisas todas: quem ostenta e quem denuncia os "perus", esses sim, provavelmente podem ter algo a esconder, nada ostentatório.

Eu acabei reproduzindo parte de um texto de um psicanalista, que é muito interessante e mostra o fundo disso tudo: quer ostentemos, quer denunciemos, ou quer humanizemos a coisa, precisamos nos perguntar, no fundo, que tipo de questão mais geral nos atravessa. Ali no txt que recortei, falava-se da fácil associação do homem com o carro, do mesmo modo como hj falamos em cancelar, seguir ou curtir pessoas: passamos a funcionar e nos conduzir do mesmo modo que os gadgets que operamos, mas no fundo não passamos de seres finitos e humanos, e a grande questão é que esse jogo todo de comparações (conosco e com os outros) começa precisamente quando nos perdemos e embarcamos nessas identificacoes de nossa sociedade de consumo. ;)

Sign in to participate in the conversation
CleverLibre Social

CleverLibre Social is an inclusive social instance for open discussion, learning, and community.
All cultures welcome.
Hate speech and harassment strictly forbidden.