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Alguém poderia explicar o fenômeno dos jornais:

Na Europa e nos EUA, temperaturas de 42ºC no verão são apresentadas como crise climática e estado de calamidade.

No Brasil, temperaturas de 40ºC no **inverno** não são apresentadas como crise, mas sim com risadinhas, reportagens na beira da praia e tiradas sobre quem consequiu ostentar uma prainha na quarta-feira.

@askesis Talvez porque o pessoal da imprensa comercial do Brasil tem ar condicionado para dormir de noite ?

@santiago né? E o que dizer dessa impressão de que o problema climático não é de todos, mas apenas um problema privado - isso se for problema -, um "quem quiser, que lute"?

@askesis Igual a maior parte dos problemas de sociedade: com um pouco mais dinheiro as consequências pessoais nem existem.

Até assalto só afeta na maioria a classe trabalhadora. Vindo da Suíça com renda correspondente quase nunca peguei ônibus. Não saímos muito, e se for vamos de táxi. Isso deve ser uma das causas que nunca fui efetivamente assaltado. E que a polícia nunca sequer controlou a minha identidade — mesmo quando fui uns meses tecnicamente um imigrante illegal.

@santiago Isso é bem interessante, pois mostra bem como as coisas são por aqui, e talvez é uma chave de leitura para o problema posto: por aqui, parece que conseguimos enxergar que nos países ricos, por mais individualizadas que sejam as relações, preserva-se ainda certo sentido de - não sei dizer, mas chuto essa noção - "coletividade", de esfera pública, de que nem todos os problemas se resolvem privadamente.

Já no Brasil, é muito forte essa sensação do "quem quiser, que lute", não apenas nos assuntos privados e do dia-a-dia, mas também nos públicos, coletivos, climáticos etc..

Não é à toa, inclusive, que o bolsonarismo se criou aqui, muito irmanado com o anarcocapitalismo. Afinal, o pensamento de milícia tem suas semelhanças com um pensamento que ignora qualquer relação estatal e reduz tudo às ações individuais, sem qualquer contexto

@askesis Uma das coisas mais absurdas que eu vi foi boiler individual dentro de grandes torres no Leblon / RJ. Nem para economizar no custo as pessoas conseguem se juntar. Compartilham coisas inúteis como porteiros mas no essencial não. Cada um com o seu sistema de aquecimento de água, cada um com seu murinho e arame farpado personalizado. É um certo choque cultural pra quem veio de fora. Nunca me acostumei. Ou talvez sim mas sempre acho absurdo.

@askesis é pra deixar claro quem pode ou não morrer com as mudanças climáticas

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