Uma das coisas que mais me surpreendem como professor é os alunos (isto é, os jovens) crescerem com a cabeça cada vez mais formatada pelas redes sociais. Nas relações pessoais é curtir e seguir de um lado, e banir e cancelar de outro. Os vínculos duráveis são difíceis e o que impera é a desvinculação. Os banimentos e cancelamentos são taxativos.
E nessa existência de conexão e desconexão, que pareceria fluida, é incrível como os jovens incorporam identidades rígidas. Eles se prendem a diagnósticos e etiquetas que se colocam entre si, para o bem e para o mal. Todo discurso é capacitista e toda ação já define o que você é, inevitavelmente bem-sucedido ou irremediavelmente fracassado. Não há meio termo, lugar para a resolução do contraditório. A primeira mancada é sempre a última chance.
Os convencimentos são na linguagem do coaching e da lacração, tudo tende a ser raso e mais uma vez, taxativo, decisivo em poucas palavras, causando impacto e "fissura", como diz a gíria da drogadicção.
É como se fosse preciso cultivar uma existência que deve ser luminosa a qualquer custo, sem margem às penumbras da vida. Como se essas pessoas fossem um sol ao meio dia que não permitisse haver sombra.
O que elas esquecem é que, quanto mais forte é a luz, mais dura e profunda é a sombra.