Comecei a tentar escrever um texto sobre como o direito ao silêncio seria importante aos brasileiros: o silêncio, ao invés de reforma e makita no sábado de manhã e funk de madrugada, tocando o fd-se para os vizinhos.

Mas respeitar o silêncio é tão fora de cogitação para o brasileiro que... ficarei em silêncio.

@askesis Vou te dizer que após mais de 40 anos de silêncio na Suíça curto até um barulhinho de makita no domingo.

@santiago

Isso é interessante, pois os brasileiros cultivamos todos certa visão sobre a europa civilizada, o respeito ao silêncio etc.. E isso é mesmo verdade, bem como esse tema de que, quando se mora fora, até dá "saudade de um pouquinho de desordem brasileira".

São temas muito bem assentados na nossa cultura. Mas eu fico sempre imaginando critérios que ultrapassassem as diferenças culturais e nossos próprios ideais. Por ex., o silêncio seria, ou não, algo interessante para uma vida feliz? Num contexto no qual ninguém está aí para o silêncio alheio, certamente a possibilidade de escolher o silêncio seria um ítem essencial para ser feliz.

Eu diria até que seria um marco civilizatório: um bom lugar é aquele em que as pessoas respeitam às outras, e logo, ao silêncio delas.

@askesis Eu até amo paz e silêncio. Escolhemos morar nas alturas longe do tumulto da cidade. Mas a Suíça era o extremo inverso. Dependendo dos vizinhos (e já me dei bem mal, especificamente mudando de classe social) você não pode ter uma conversa no seu balcão sem receber a visita da polícia pedindo para falar mais baixo. Todo dia. Ao final afoga todo tipo de emoção ou convivialidade.

Acho que lá piorou com a solidão e envelhecimento da população. Assim que a maioria muda, dita regras.

@santiago Que incrível contraste! Rsrs Tive que ligar o ventilador ao lado na madrugada para abafar os barulhos; de manhã já foi uns três tipos de reforma; é vizinho falando alto, veículo que para em frente ligado e dando ressonância na casa inteira, gente passando com som alto... e a manhã recém terminou rsrs

@askesis Até onde estamos bem distante da cidade passa o caminhão do ferro velho gritando música evangélica, o do gás com o jingle e outros vans com motor de 1950 que parece estar explodindo, o pessoal do lixo que comunica via gritos.

Eu fico rindo pois ainda acho um tanto exótico ainda mas ao final uso até headphone com cancelamento de som quando eu trabalho (mais para cobrir ventilação do ar e dos computadores e nobreak).

@santiago comprei um abafador de som, de construçao, desde que vim morar no RJ. Mas debaixo de 30°C à noite ninguem aguenta kkkk qto mais de dia

@askesis Acho que de um jeito ou outro o sofrimento vem dessa sociedade onde todos vivem colados mas não escolheram. Escassez artificial.

Cada vez que eu saio fora do RJ fico chocado com a quantidade de espaço vazio nesse país. Tem quilômetros de morros verdinhos idílicos mas os humanos ficam apertadinhos pela especulação imobiliária e uma ausência de transporte público de qualidade. O barulho é um efeito secundário.

@santiago

Percebo bem isso, de uma forma muito curiosa. Isso que vc diz é bem a passagem da cidade de interior aos boom populacionais. Crescimento desordenado, sempre. No caso brasileiro, claro. E misturado com a velha coisa do latifúndio.

Sign in to participate in the conversation
CleverLibre Social

CleverLibre Social is an inclusive social instance for open discussion, learning, and community.
All cultures welcome.
Hate speech and harassment strictly forbidden.