@plutzie Olá, boa noite!
Peço desculpas se causei má impressão em algum ponto, mas longe de mim ter tentado "lecionar" ou "traduzir" algo para você
Tentei apenas colocar uma questão e deixá-la clara (no que é possível nessas letrinhas rsrs): a ampliação do problema do "trabalho sexual" por tocar pontos que talvez sejam mais profundos que os do próprio trabalho em sentido tradicional e moderno. Pois me parece que a questão do trabalho sexual dá um nó na coisa: não é ela que se insere no universo do trabalho e capitalista, mas o próprio universo do trabalho e capitalista é que colocaria algo em jogo no momento em que avança sobre as práticas sexuais.
Mais uma vez peço desculpas. Fico surpreso de ter sido lido da forma como fui, pois estou tentando exatamente fugir desse tipo de coisa, característico das "grandes" redes sociais.
@plutzie Mas aí é interessante o argumento de Foucault, por ex., em sua História da Sexualidade. Ele se pergunta por ex. por que é que o ocidente foi moralizar logo a conduta sexual e não outras condutas públicas, por ex. políticas. É porque o ocidente "escolheu" cada vez mas unir a pergunta sobre quem nós somos com a resposta sobre nosso uso do sexo na intimidade e sobre nosso desejo. Traduzindo: cada vez mais passamos a delimitar o que somos nós e o que temos de mais íntimo e próprio a partir da nossa relação com o sexo, seja negativa (durante quase 2000 anos), seja nessa tentativa de positivar hoje as relações sexuais.
Disso, o que mais me impressiona é essa tentativa de alargar uma espécie de des-moralização geral do trabalho, agora também aplicada quanto ao trabalho sexual: se tudo já é explorado, por que também não incluir o trabalho sexual nessa exploração? Por que, ainda, mantermos o pudor entre o trabalho que se desregulamenta e o trabalho sexual que nunca pôde ser regulamentado?
Certamente isso mexe com muito de nossos preconceitos a respeito do trabalho sexual, o que dá uma visão de que a des-moralização do trabalho sexual seria equivalente a uma emancipação dele.
Só que eu acho que deveria ocorrer exatamente o inverso: não incluir o trabalho sexual na desmoralização geral do trabalho, mas por assim dizer re-moralizar todo o trabalho: retornar à discussão sobre direitos e, principalmente, sobre a redução das jornadas de trabalho para visar pleno emprego. Isso poderia até oferecer uma discussão sobre o trabalho sexual que não deixe passar nem os velhos preconceitos do ocidente, nem os novos preconceitos que nossa cultura começa a fazer passar por debaixo do tapete.
Sem o que, num futuro próximo, seremos todos não exatamente trabalhadores sexuais libertos de julgamentos morais, mas sim desempregados com empregos sazonais (sexuais ou não) e uma ultraprecarização que ainda ceifará muita vida.
É muito interessante isso tudo, pois o trabalho sexual toca nessa velha relação ocidental entre sexo e intimidade. Num mundo no qual toda intimidade é expropriada, não haveria por que não alargar o critério de expropriação para o que, até então, estava na fronteira do "proibido".
Tenho achado surpreendente o "poder" dos símbolos para as pessoas elaborarem seus problemas. Não num sentido junguiano, como se o homem tivesse uma série de arquétipos cuja expressão o encaminharia a algo como um Self, mas num sentido levi-straussiano: os símbolos nos ajudam, quase como em rituais de pajelança, a dar significado ao que não parecia elaborado, a dar nome ao que parecia pouco claro em nós mesmos e em nossa relação com o mundo.
Disso, considero curioso como os psicólogos se distribuem nesse uso dos símbolos: uns, "ateus", os minorizam, enquanto outros, fiéis em alguma coisa, fixam-se em alguma abordagem que legitime de algum modo uma fé (como junguianos, estudiosos de Edith Stein etc.).
Entre uns e outros há o largo rio do símbolo.
Os monstros humanos em #Foucault e existências transgêneros
Regiane Lorenzetti Collares, Giovana Carmo Temple
https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/14143
@xentrac hi!
Notícias quentinhas, direto do zapzap: o STF fará votações secretas sem informar à população; Lula baixará um decreto de expropriação possível de qualquer propriedade privada no Brasil (seu quintal ou até meio capim chamado sítio sera tomado pelo Loooola!); e qualquer coisa herdada será taxada de um jeito que, bom mesmo será não receber herança alguma 🤡
Vendo que ainda existem olavistas a única saída que resta é notar que o uso da razão não foi só deslocado, mas enterrado. Não é uma questão de convencer pessoas, pois se o fosse, os olavistas seriam obrigados a examinar a coprolalia do mestre, e simplesmente deixariam de ser olavistas.
Agora, se é preciso que alguém largue o que está fazendo de útil, e tenha que "convencer" olavistas, além disso ser uma má idéia (eles já não quiseram ser convencidos antes), é uma imensa perda de tempo.
A regressão mental olavista é tão grande que retrocede a antes da criação da filosofia na Grécia, pois ali, ao menos, havia a iniciativa de que a razão poderia convencer alguém.
Mas no fundo, essa regressão mental não é culpa do Olavo. Ele apenas surfou numa onda que é da nossa época.
Cahier #foucault L'Herne
!
@DeBMC youtube?
@fbobraga me parece que no br há ainda outros fatores, os quais chamei a atençao, e que se cruzam com isso. Por ex, esse ranqueamento entre trabalho "gourmet" e os "outros", os quais mencionei.
Isso leva a questoes surreais, que vão da não aceitaçao de compromissos e convites ao impedimento de que outros realizem um compromisso, coisas baseadas em uma ilusao de autoridade ou de relaçoes pessoais.
Um ex: mais de uma vez já ouvi pesquisadores reclamando que tem portas fechadas porque pertencem a instituiçoes menores ou de regioes distantes do sudeste.
@fbobraga especialmente quando o ranking é de backlinks estilo o do Technorati do início dos anos 2000
Na universidade, qualquer convite que recebo eu trato com o mesmo grau de importância. Não importa o índice Qualis da revista ou o grau de formação de um grupo ou popularidade de um evento, lá estou eu fazendo a mesma coisa.
Mas me espanta muito, imensamente, ver colegas fazendo gradações de valor sobre onde eles participam. Como se eles mesmos separassem o que fazem entre ações "gourmet" e "as outras".
Assim, há quem publique artigos, ou realize falas, com frouxidão e até erros conceituais, a depender do que faz. Sem contar as quebras de combinado.
Isso não é apenas anti-ético. Quem separa as próprias ações assumindo baixa na qualidade está comprometendo a própria universidade, pois o que margeia as universidades públicas, que realizam quase tudo o que há de pesquisa no Brasil, é um mar de má qualidade, permeado por práticas que vão do coaching ao proselitismo religioso, à doutrinação política e à desonestidade intelectual.
@amandaseixas @gmgall @Bruiserzinha sobre isso vale muito ver gente como Sandra Caponi e Margareth Rago
@Bruiserzinha @boajornada eu nem imaginava que chegaria a esse ponto. Mas é incrível como o fascismo ainda circula, embora mais entranhado.
Projeto que extingue a Uerj será votado nesta semana em comissão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
Os ataques não param, querem destruir e vender tudo!
Pessoal do estado do Rio, fiquemos atentos para fortalecer as mobilizações em defesa da UERJ!
Interesses: História da #Filosofia, História das #CiênciasHumanas, História da #Psicologia, Michel #Foucault. Também por #arte, #natureza e #fotografia.
Posto: o que vejo diante dos olhos, nessa curta vida. Compartilho links e coisas que me interessam, interajo, guardo informações, cito trechos, conjecturo, separo coisas para ler...
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