Comecei a tentar escrever um texto sobre como o direito ao silêncio seria importante aos brasileiros: o silêncio, ao invés de reforma e makita no sábado de manhã e funk de madrugada, tocando o fd-se para os vizinhos.
Mas respeitar o silêncio é tão fora de cogitação para o brasileiro que... ficarei em silêncio.
@askesis Vou te dizer que após mais de 40 anos de silêncio na Suíça curto até um barulhinho de makita no domingo.
Isso é interessante, pois os brasileiros cultivamos todos certa visão sobre a europa civilizada, o respeito ao silêncio etc.. E isso é mesmo verdade, bem como esse tema de que, quando se mora fora, até dá "saudade de um pouquinho de desordem brasileira".
São temas muito bem assentados na nossa cultura. Mas eu fico sempre imaginando critérios que ultrapassassem as diferenças culturais e nossos próprios ideais. Por ex., o silêncio seria, ou não, algo interessante para uma vida feliz? Num contexto no qual ninguém está aí para o silêncio alheio, certamente a possibilidade de escolher o silêncio seria um ítem essencial para ser feliz.
Eu diria até que seria um marco civilizatório: um bom lugar é aquele em que as pessoas respeitam às outras, e logo, ao silêncio delas.
@askesis Eu até amo paz e silêncio. Escolhemos morar nas alturas longe do tumulto da cidade. Mas a Suíça era o extremo inverso. Dependendo dos vizinhos (e já me dei bem mal, especificamente mudando de classe social) você não pode ter uma conversa no seu balcão sem receber a visita da polícia pedindo para falar mais baixo. Todo dia. Ao final afoga todo tipo de emoção ou convivialidade.
Acho que lá piorou com a solidão e envelhecimento da população. Assim que a maioria muda, dita regras.
@santiago Que incrível contraste!